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Bv. Alexandrina Maria da Costa e a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria

by SNFS | mar 23, 2022

Consagração do Mundo ao ICM

ANS Roma | Como já todos sabem, o Papa Francisco, em comunhão com todos os Bispos do Mundo e os seus Presbíteros, no próximo dia 25 de março, Solenidade da Anunciação do Senhor, fará a entrega e consagração da Ucrânia e Rússia ao Imaculado Coração de Maria. O Cardeal Konrad Krajewski, Esmoleiro Pontifício, o fará em Fátima como enviado do Santo Padre.

Neste momento tão preocupante e trágico pela ameaça à paz no mundo, é significativo rever a contribuição dada pela Bv. Alexandrina Maria da Costa (1904-1955), Salesiana Cooperadora, para obter de Deus o dom da paz durante a II Guerra Mundial.

A Beata Alexandrina fora a porta-voz para o pedido da Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, feita chegar ao Santo Padre Pio XI, desde 1937 e nos anos seguintes. Em união com Jesus Crucificado, Alexandrina foi também a alma vítima a fim de que o pedido de Jesus fosse ouvido. Portanto, a partir de outubro de 1938 até março de 1942, Alexandrina, todas as sextas-feiras, das 12 às 15 horas, reviveu a Paixão de Jesus, vivida em todo o seu ser, e visível no seu corpo que recuperava naquelas três horas todos os movimentos, repercorrendo no espaço do seu pequeno alojamento, todas as etapas da Paixão de Jesus. Jesus tinha antecipado a Alexandrina que ela iria viver a sua Paixão enquanto o Papa não consagrasse o Mundo ao Imaculado Coração de Maria. Em 31 de outubro de 1942, Pio XII consagrou o Mundo ao Coração Imaculado de Maria.

Para Alexandrina continuou a participação da Paixão de Jesus, mas interiormente. E iniciou para ela um novo martírio pela salvação das almas e para a paz no mundo: o jejum total. Por treze anos e sete meses viveu só da Eucaristia. Explodira entrementes (1939) a II Guerra Mundial: Alexandrina ofereceu os seus sofrimentos com o jejum, pela paz e obteve de Deus a promessa de que Portugal não entraria na guerra.

Numa das mensagens Jesus disse-lhe: «“És uma segunda Arca de Noé. Em ti encerro os pecadores, em ti como naquela arca, encerro tudo pela vida do mundo novo. A tua dor, a tua imolação são dor e imolação de vida, mais pelas almas do que pelos corpos. Coragem, filhinha! Não tenhas medo de nada… Filha minha, comigo está a minha Mãe bendita. Escuta o que te dirá”.

Maria SS.: “Filha minha, eis-me com o meu divino Filho a entregar-lhe a humanidade e a encerrá-la no seu coração. As chaves ficam na mão de Jesus e da sua Mãe. Dei-lhe o meu manto e a minha coroa de rainha: V. foi coroada por Mim. É rainha dos pecadores do mundo, escolhida por Jesus e Maria. Hoje, dia da minha Conceição imaculada, lhe entregamos suas posses de Rainha. Desde hoje são suas: cuide-as. Custodie-as na terra assim como, depois, cuidará delas desde os Céus. Escolhi este Dia festivo em minha honra, para que em união comigo seja festejado o dia desta entrega da Humanidade” ».

A missão de Alexandrina continua desde os Céus: os efeitos da consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, o sofrimento e o jejum de Alexandrina, continuam hoje desde os Céus. Realizados em comunhão com Cristo, adquiriram um valor infinito. A nossa oração e o jejum serão uma súplica pela Ucrânia, recordando que a paz no mundo inicia sempre com a nossa conversão pessoal.

«Jesus ensinou-nos que à insensatez diabólica da violência se responde com as armas de Deus, com a Oração e o Jejum. A Rainha da Paz preserve o mundo da insânia da guerra» (Papa Francisco).

ATO DE CONSAGRAÇÃO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA,
25 DE MARÇO DE 2022


Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.

Mas perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens. Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum. Dilaceramos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Tornamo-nos indiferentes a todos e a tudo, exceto a nós mesmos. E, com vergonha, dizemos: perdoai-nos, Senhor!

Na miséria do pecado, das nossas fadigas e fragilidades, no mistério de iniquidade do mal e da guerra, Vós, Mãe Santa, lembrai-nos que Deus não nos abandona, mas continua a olhar-nos com amor, desejoso de nos perdoar e levantar novamente. Foi Ele que Vos deu a nós e colocou no vosso Imaculado Coração um refúgio para a Igreja e para a humanidade. Por bondade divina, estais connosco e conduzis-nos com ternura mesmo nos transes mais apertados da história.

Por isso recorremos a Vós, batemos à porta do vosso Coração, nós os vossos queridos filhos que não Vos cansais de visitar em todo o tempo e convidar à conversão. Nesta hora escura, vinde socorrer-nos e consolar-nos. Repeti a cada um de nós: «Não estou porventura aqui Eu, que sou tua mãe?» Vós sabeis como desfazer os emaranhados do nosso coração e desatar os nós do nosso tempo. Repomos a nossa confiança em Vós. Temos a certeza de que Vós, especialmente no momento da prova, não desprezais as nossas súplicas e vindes em nosso auxílio.

Assim fizestes em Caná da Galileia, quando apressastes a hora da intervenção de Jesus e introduzistes no mundo o seu primeiro sinal. Quando a festa se mudara em tristeza, dissestes-Lhe: «Não têm vinho!» (Jo 2, 3). Ó Mãe, repeti-o mais uma vez a Deus, porque hoje esgotamos o vinho da esperança, desvaneceu-se a alegria, diluiu-se a fraternidade. Perdemos a humanidade, malbaratamos a paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. Temos necessidade urgente da vossa intervenção materna.

Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:

Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;

Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;

Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;

Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;

Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;

Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;

Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;

Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.

O vosso pranto, ó Mãe, comova os nossos corações endurecidos. As lágrimas, que por nós derramastes, façam reflorescer este vale que o nosso ódio secou. E, enquanto o rumor das armas não se cala, que a vossa oração nos predisponha para a paz. As vossas mãos maternas acariciem quantos sofrem e fogem sob o peso das bombas. O vosso abraço materno console quantos são obrigados a deixar as suas casas e o seu país. Que o vosso doloroso Coração nos mova à compaixão e estimule a abrir as portas e cuidar da humanidade ferida e descartada.

Santa Mãe de Deus, enquanto estáveis ao pé da cruz, Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós, disse-Vos: «Eis o teu filho!» (Jo 19, 26). Assim Vos confiou cada um de nós. Depois disse ao discípulo, a cada um de nós: «Eis a tua mãe!» (19, 27). Mãe, agora queremos acolher-Vos na nossa vida e na nossa história. Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio. O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós, enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela guerra, a fome, a injustiça e a miséria.

Por isso nós, ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz. O sim que brotou do vosso Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma vez, por meio do vosso Coração, virá a paz. Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo.

Por vosso intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da paz volte a marcar as nossas jornadas. Mulher do sim, sobre Quem desceu o Espírito Santo, trazei de volta ao nosso meio a harmonia de Deus. Dessedentai a aridez do nosso coração, Vós que «sois fonte viva de esperança». Tecestes a humanidade para Jesus, fazei de nós artesãos de comunhão. Caminhastes pelas nossas estradas, guiai-nos pelas sendas da paz. Ámen. (Fonte: vaticannews.va)

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