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Artémides Zatti é santo!

by SNFS | out 10, 2022

Artémides Zatti | Santo

ANS Cidade do Vaticano | “O salesiano coadjutor Artémides Zatti foi um exemplo vivo de gratidão”. Foi com estas palavras, pronunciadas durante a homilia da Missa de hoje, 9 de outubro de 2022, que o Papa Francisco indicou a todos os fiéis o modelo do "santo enfermeiro" e "parente de todos os pobres", no dia em que proclamou a sua santidade perante a Igreja Católica, universal. Eram pouco mais de 10h (UTC+2) quando teve início a Celebração Eucarística com o Rito de Canonização do salesiano coadjutor Artémides Zatti e Dom João Batista Scalabrini, bispo e fundador da Congregação dos Missionários de São Carlos e da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu.

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Solene, como merece a ocasião, toda a celebração, a começar pelo Rito de canonização, no início da Liturgia. Após o ‘cântico de entrada’, a ‘Schola’ da Basílica de São Pedro entoou o ‘Veni, Creator Spiritus’ e o Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, acompanhado pelos Postuladores, P. Graziano Battistella CS, e P. Pierluigi Cameroni SDB, diriram-se ao Santo Padre para apresentar a ‘Petitio’ - o pedido formal para a canonização dos dois Beatos.

As figuras de Dom Scalabrini e do Sr. Zatti foram, assim, brevemente relembrados por meio da leitura das suas respectivas biografias, realizada pelo Cardeal Semeraro.

Posteriormente, a Praça, repleta de Fiéis, invocou, com as Ladainhas dos Santos, a participação de toda a Igreja Celeste para que acompanhe a inscrição dos dois Beatos no Livro dos Santos.

Às 10h30, o Santo Padre Francisco pronunciou, em latim, a solene fórmula da canonização, com a qual declarou e definiu ‘Santos’ João Batista Scalabrini e Artémides Zatti.

Um grande aplauso da Assembleia de Fiéis acompanhou a proclamação, seguida pela incensação e deposição, aos pés da imagem de Nossa Senhora, das ‘insignes’ relíquias dos dois novos Santos, e do agradecimento do Cardeal Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, que ao mesmo tempo, pede, e obtém, do Pontífice, o consentimento para a redação da Carta Apostólica relativa à canonização.

Retomou-se, então, a Liturgia Eucarística dominical, concelebrada por vários Cardeais, Arcebispos, Bispos e Sacerdotes, muitos deles Filhos de Dom Bosco com o seu Reitor-Mor, P. Ángel Fernández Artime. No momento da homilia, o Papa aprofundou as leituras do 28.º Domingo do Tempo Comum. Dois aspectos foram particularmente enfatizados pelo Pontífice: caminhar juntos e gratidão.

Caminhar juntos é a característica dos dez leprosos curados por Jesus. “Trata-se de uma imagem significativa também para nós: se formos honestos com nós mesmos, havemos de nos lembrar que todos estamos doentes no coração, todos somos pecadores, todos necessitamos da misericórdia do Pai. Consequentemente deixaremos de nos dividir apenas com base nos méritos, nas funções que desempenhamos ou em qualquer outro aspeto exterior da vida”, disse o Pontífice.

 “Irmãos e irmãs, verifiquemos se, na nossa vida, nas nossas famílias, nos nossos lugares de trabalho e de convivência diária, somos capazes de caminhar junto com os outros, de ouvir e superar a tentação de nos entrincheirar na nossa autorreferencialidade, e de pensarmos só nas nossas necessidades”, convida o Papa.

Esta é também a ocasião para denunciar, mais uma vez, a exclusão dos migrantes, que o Papa define claramente como "escandalosa, repugnante, pecaminosa e criminosa".

“Pensemos hoje nos nossos migrantes, nos que morrem – acrescentou o Papa, abrindo a questão a todos - . Àqueles que conseguem chegar, recebemo-los como irmãos ou os exploramos?”.

Em seguida, o Santo Padre destacou o valor da gratidão, segundo o modelo do samaritano, o único dos dez leprosos curados que voltou para agradecer a Jesus: "Esta é uma grande lição também para nós, que todos os dias nos beneficiamos dos dons de Deus, mas frequentemente prosseguimos pela nossa estrada esquecendo-nos de cultivar uma relação viva com Ele. (....) E acaba-se, assim, por pensar que tudo o que recebemos diariamente seja óbvio e devido”.

“Ao contrário, a gratidão, o saber dizer ‘obrigado’, leva-nos a afirmar a presença de Deus-amor, e também a reconhecer a importância dos outros, vencendo o descontentamento e a indiferença, que nos embrutecem o coração”, observou o Pontífice.

Saber caminhar junto com os outros e o espírito de gratidão, afirma o Papa, são precisamente as características que marcaram a vida dos dois novos santos. De Dom Scalabrini, que fundou uma congregação para o cuidado dos emigrantes, o Papa lembra uma citação para afirmar que “no caminhar comum daqueles que emigram, é preciso não ver só problemas, mas também um desígnio da Providência. ‘Precisamente por causa da migração forçada pelas perseguições – disse ele –, a Igreja superou as fronteiras de Jerusalém e de Israel, e tornou-se “católica”; graças às migrações de hoje, a Igreja será instrumento de paz e comunhão entre os povos’ (G. B. Scalabrini, A emigração dos trabalhadores italianos, Ferrara, 1899)".

O Pontífice refletiu sobre a migração forçada da qual a população ucraniana é vítima: "Não esqueçamos, hoje, a atormentada Ucrânia".

Ainda sobre o salesiano coadjutor Artêmides Zatti, reiterou: "Por sua vez, o salesiano irmão Artêmides Zatti, com sua bicicleta, foi um exemplo vivo de gratidão: Curado da tuberculose, dedicou toda a sua vida a ajudar os outros, a cuidar com amor e ternura os doentes. Conta-se que o viram carregar nos ombros o corpo morto de um dos seus doentes. Cheio de gratidão por tudo o que havia recebido, quis dizer o seu “obrigado” ocupando-se das feridas dos outros”.

A homilia do Santo Padre terminou com uma exortação: “Rezemos para que estes nossos irmãos ‘santos’ nos ajudem a caminhar juntos, sem muros de divisão; e a cultivar esta nobreza da alma tão agradável a Deus chamada gratidão".


BREVE PERFIL BIOGRÁFICO E MILAGRE OBTIDO POR INTERCESSÃO DO BEM-AVENTURADO ARTÉMIDES ZATTI

 

Artémides nasceu em Boretto (Reggio Emilia, Itália), no dia 12 de outubro de 1880, filho de Luigi e Albina, e terceiro de oito irmãos. Uma família pobre, mas rica de fé e de afeto. Forçada pela pobreza, no início de 1897 (Artémides tinha 17 anos), a família Zatti, emigrou para a Argentina, estabelecendo-se em Bahía Blanca. Mais tarde, haveria outras “migrações” na vida de Artémides: a de Bahía Blanca para Viedma, quando, acometido por tuberculose, viajou numa “galera” (carruagem de tração animal, ou diligência da época), pensando que todos os seus sonhos se haveriam de desvanecer; ou, então, quando migrou do Hospital São José para o Hospital Santo Isidoro, num carro ornado de flores e por entre cânticos de alegria.

Em Bahía Blanca, o jovem Artêmides frequentou a paróquia dirigida pelos salesianos, cujo pároco era o P. Carlos Cavalli. Nele encontrou Zatti uma figura de pai e diretor espiritual que o orientaria na vida salesiana; e, em Viedma, conheceu o P. Evasio Garrone, que o convidou a rezar a Maria Auxiliadora para obter a cura, sugerindo-lhe, porém, que fizesse uma promessa: "Se ela o curar, dedicar-se a estes doentes por toda a vida". Artémides fez a promessa de bom grado e, milagrosamente, curou-se. Emitiu a primeira profissão como salesiano coadjutor no dia 11 de janeiro de 1908 e a profissão perpétua no dia 18 de fevereiro de 1911, convencido de que “podemos servir a Deus tanto como sacerdotes quanto como coadjutores: para Deus, uma coisa vale tanto quanto a outra, desde que seja feita com vocação e amor”.

O hospital foi, durante toda a sua vida, o lugar onde exercia, dia após dia, uma caridade cheia da compaixão do Bom Samaritano. Ele costumava acordar os doentes nas enfermarias, dizendo: "Bom dia". Viva Jesus, José e Maria… Estão todos a respirar?”.

Também costumava ir para a cidade de Viedma com seu jaleco branco e a bolsa de remédios, com uma mão no guidão e a outra no terço. Fazia tudo sem cobrar. Certa vez, um agricultor que quis expressar sua gratidão cumprimentando-o disse-lhe: “Muito obrigado, Sr. Zatti, por tudo. Saúdo-o e peço que leve os meus melhores cumprimentos à sua esposa, mesmo sem ter tido o prazer de a conhece-la…”. "Nem eu", respondeu Zatti, soltando uma gargalhada.

Artémides Zatti amava os seus doentes, via e servia o próprio Jesus através deles. Certo dia, pediu ao encarregado pela rouparia: "Uma muda de roupa para Nosso Senhor...". Zatti procurava o melhor para os seus pacientes porque "a Nosso Senhor devemos dar aquilo que temos de melhor". Uma vez, um menino pobre do campo precisou de uma roupinha para a sua primeira comunhão e Artémides solicitou: "uma roupinha para Nosso Senhor".

Ele sabia conquistar todos, com o seu equilíbrio conseguia resolver até as situações mais delicadas. Um dos médicos do hospital testemunhou: "Quando encontrava o Sr. Zatti, a minha incredulidade vacilava!”. E outro: “Eu creio em Deus desde o dia em que conheci o Sr. Zatti”.

Na comunidade, era ele quem tocava o sino, era ele que precedia todos os coirmãos nas reuniões comunitárias. Como bom salesiano, sabia despertar a alegria, um componente da sua santidade. Sempre agradavelmente sorridente: é assim que todas as fotos o retratam.

Em 1950, Zatti caiu de uma escada, acidente que revelou os sintomas de um cancro que ele mesmo diagnosticou, com lucidez. Faleceu no dia 15 de março de 1951, cercado pelo afeto e pela gratidão da população de Viedma e Patagones, que a partir daquele momento começou a invocá-lo como intercessor junto a Deus. A crónica do colégio salesiano de Viedma relata estas palavras proféticas: "Um irmão a menos em casa e um santo a mais no céu”.

O milagre da canonização

O milagre reconhecido refere-se à recuperação milagrosa de Renato, um filipino que, em agosto de 2016 sofreu um grave derrame isquêmico, agravado por hemorragia. Devido ao agravamento dos sintomas e à consequente dificuldade de locomoção, ele acabou por ser internado. Nos dias seguintes, não havendo melhora, pelo contrário, encontrando-se desorientado e apresentando a fala confusa, foi transferido para a UTI.

O seu irmão Roberto, salesiano coadjutor, ao tomar conhecimento da gravidade da situação, no dia do internamento começou a orar pela sua recuperação pedindo a intercessão do Beato Artémides Zatti.

Em seguida, um check-up neurocirúrgico indicou a necessidade de uma cirurgia que, porém, não seria possível devido à escassa situação financeira da família. Os familiares, então, decidiram levá-lo para casa para que ele pudesse passar os últimos dias da sua vida com a família. O moribundo recebeu a unção dos enfermos e quis ver os familiares e parentes para se despedir.

Roberto convidou os parentes para se unirem e rezar, invocando intensamente o Beato Artémides Zatti.

No dia 24 de agosto de 2016, contrariando todas as expectativas, Renato tirou o tubo e o oxigênio e chamou  os parentes, dizendo que estava bem e que queria tomar banho e comer. O homem que há poucos dias tinha sido trazido para casa para morrer estava saudável!

Este milagre confirma o carisma de Artémides Zatti, cujo apelido era "o parente dos pobres". De facto, no hospital de Viedma, na Argentina, Artémides acolheu e atendeu aqueles que não podiam arcar com os custos dos medicamentos e dos internamentos.

O milagre não aconteceu apenas como uma cura física. A graça de Deus, de facto, enquanto cura o corpo, toca o coração e a vida das pessoas, renovando-as na fé, nos relacionamentos e no testemunho de uma nova vida.

Certa vez, um dos médicos do hospital San José perguntou: "Sr. Zatti, o senhor é feliz?’ ‘Muito. E o Doutor?’. ‘Eu não…’. ‘Veja, a felicidade, cada qual a carrega em si: contente-se com o que tem, ainda que seja pouco ou nada: é isto o que Deus nos pede. Quanto ao resto, Ele pensará”.

Esta é a mensagem que o Sr. Zatti deixa, hoje, a cada um de nós. Como escreveu numa carta a seu pai, Luigi, em 1908: “Eu não vou ficar a elencar as graças que deveis pedir; vós sabeis muito bem. Só quero colocar diante dos vossos olhos uma delas: a de que todos nós possamos amar e servir a Deus neste mundo e depois poder ser felizes com Ele no outro”. Oh! Que felicidade, então poderemos estar todos juntos, sem mais medo da separação!... ah, sim, vós deveis pedir esta graça. E, se às vezes, tivermos que sofrer alguma coisa, paciência!... no céu encontraremos a recompensa, se sofremos por amor ao nosso Querido Jesus e, lembremos, momentâneos são os sofrimentos e eterno é o gozo!”.

P. Pier Luigi Cameroni, Postulador Geral para a Causa dos Santos da Família Salesiana


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