Encontro das Famílias de Caná
No passado dia 21 de janeiro de 2018, no centro de Arcozelo, os salesianos cooperadores promoveram um encontro para todas as famílias da Comunidade Educativa sobre a vivência cristã na Família, a partir das Famílias de Caná, com o tema “Eu e a minha família serviremos o Senhor (
Js 24,15)”, orientado pela
Família Power. Inspirado nas Bodas de Caná, o mesmo iniciou-se ao som da melodia “Fazei. Fazei tudo. Tudo o que Ele vos disser! Fazei. Escutai. Saboreai o vinho bom que Jesus…Jesus transforma em ti”.
Aberto o encontro num espírito de alegria, tão característico da nossa espiritualidade, deu-se início à apresentação de um testemunho de fé e de vida, dando espaço para todas as idades e fazendo uso de todos os sentidos.
Os ouvidos. Essenciais para nos permitirem abarcar a informação capaz de (
trans)formar a nossa experiência. Permitiram-nos ouvir o testemunho da Teresa e do Näil sobre o seu percurso de vida, sobre a forma como foram inspirando e sendo inspirados neste testemunho de vida cristã e sobre a possibilidade de viver mais e melhor a dimensão da família hoje. Comprovar a beleza da voz da Clara que usou tão bem a guitarra e a voz para expressar a sua relação com Deus. Ouvir a voz das crianças que de uma forma tão espontânea partilhavam entre eles e com os seus pais aquilo que aquele tempo e aquele espaço lhes transmitiam.
Os olhos. Forma privilegiada das crianças recolherem a informação do encontro. De entre os momentos de partilha, foi fundamental a intervenção de cada um dos filhos do casal. Todos participaram no encontro. As crianças deliciaram-se especialmente com o ilusionismo preparado pelo Francisco, que introduzia uma das dimensões por eles apresentada na vivência da família cristã. As fotografias da família e dos seus espaços foram também um veículo, para nos adultos, altamente inspirador da forma como podemos, na nossa realidade e de uma forma adaptada, expressar os momentos fortes da liturgia.
As mãos. Meio usado pelas crianças para captar a sua atenção e integrar aquilo que escutavam e viam à sua volta. A participação das crianças traduziu-se também num espaço onde se pudessem expressar ao longo do encontro. O mesmo existia, na parte da frente da sala, através das almoçadas e dos puzzles lá colocados e na parte de trás da sala, os brinquedos. Houve os que preferissem o espaço de convívio da frente ou a manipulação dos objetos da parte de trás; entre a procura intermitente do colo dos pais. O denominador comum destes espaços era a frequência com que as mãos se movimentavam. Mãos que abraçam, mãos que confortam e aproximam e mãos que exploram.
A boca. Característica fundamental de um encontro cristão, da família e também característico das bodas de cana. Marcou a parte final do encontro e permitiu a partilha e integração de tanta informação recolhida entre adultos e entre crianças. Aqui, enquanto as vozes dos adultos sobressaiam em aglomerados de pessoas, as crianças já com a interação iniciada fixavam-se a uma mesa. A mesa onde colocaram alguns alimentos para todos, onde cada um tinha uma cadeira e onde os mais velhos ajudavam os mais novos; entre risos e aprendizagens constantes.
Ao terminar, resta-nos a convicção que este encontro foi um verdadeiro encontro de família onde houve tempo, lugar e espaço para adultos e crianças integrarem experiências, partilharem; sem que se perdesse a centralidade da presença de Deus.
Ariana Lopes